{"id":10893,"date":"2020-07-26T10:43:09","date_gmt":"2020-07-26T13:43:09","guid":{"rendered":"https:\/\/pinews.com.br\/?p=10893"},"modified":"2020-07-26T10:43:09","modified_gmt":"2020-07-26T13:43:09","slug":"dia-dos-avos-eles-pedem-mais-atencao-e-encaram-a-saudade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/2020\/07\/26\/dia-dos-avos-eles-pedem-mais-atencao-e-encaram-a-saudade\/","title":{"rendered":"Dia dos Av\u00f3s: eles pedem mais aten\u00e7\u00e3o e encaram a saudade"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2020-07\/dia-dos-avos-eles-pedem-mais-atencao-e-encaram-saudade#\"><br>\u00a9 Reuters \/ Pilar Olivares \/ Direitos Reservados<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na proa da canoa, o menino Francisco Uruma olhava para o pai e para o av\u00f4, que, em concentra\u00e7\u00e3o, buscavam o pirarucu nas \u00e1guas do rio, no Alto Solim\u00f5es. Era mais do que uma pesca. Da mesma forma, o caminho pela mata para buscar a\u00e7a\u00ed era mais gostoso at\u00e9 que a pequena fruta. O que importavam mesmo eram as hist\u00f3rias ao longo dos caminhos. Uruma de 40 anos de idade, \u00e9 cacique da Aldeia Tururucari-Uka, do povo da etnia Om\u00e1gua-Kambeba. Eles vivem em terra na \u00e1rea rural de Manacapuru (AM) desde 2004. O cacique j\u00e1 tem tr\u00eas netos (que vivem em outra aldeia, a sete horas de barco) e espera ser para eles o que os ancestrais representaram na sua vida. Domingo, o pai, de 82 anos, ainda trabalha e gosta de contar hist\u00f3rias. At\u00e9 pelos exemplos que teve, o cacique orienta que toda a comunidade mantenha contato permanente com os mais velhos para que as tradi\u00e7\u00f5es e os saberes n\u00e3o se percam. Neste domingo (26), por\u00e9m, Dia dos Av\u00f3s, vai ser mais um dia em que os mais velhos ser\u00e3o ouvidos, mas com dist\u00e2ncia.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1312273&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1312273&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/mdCZUWTFln0A6jeNGEe20JZ1R5k=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/foto_-_marinaldo.jpg?itok=NI-X9Ogk\" alt=\"Cacique Francisco Uruma divulga os saberes dos mais velhos\" title=\"Cr\u00e9dito: Marinaldo Guedes \/ Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6>Cacique Francisco Uruma divulga os saberes dos mais velhos &#8211;&nbsp;<strong>Cr\u00e9dito: Marinaldo Guedes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>\u201cComo a aldeia \u00e9 em c\u00edrculo, conversamos aos gritos, cada um da sua casa\u201d. Todos de m\u00e1scara. A aldeia tem 60 pessoas. Nas conversas, os mais velhos contam hist\u00f3rias de supera\u00e7\u00e3o e de lendas que revigoram a raiz da comunidade. Falam tamb\u00e9m que \u00e9 necess\u00e1rio se proteger e se isolar, caso o v\u00edrus contamine algu\u00e9m. No \u00fanico caso positivo confirmado, a doen\u00e7a n\u00e3o evoluiu. \u201cPrecisamos cuidar dos mais velhos que est\u00e3o conosco\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/kh7zs-Cc9wL2_DG5ed2lp5qkg7Q=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/uruma.jpg?itok=g8BRe58d\" alt=\"O av\u00f4 cacique destaca que as reuni\u00f5es na aldeia agora s\u00e3o sempre de m\u00e1scara \" title=\"Arquivo pessoal \/ Cacique Francisco Uruma\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6>O av\u00f4 cacique destaca que as reuni\u00f5es na aldeia agora s\u00e3o sempre de m\u00e1scara &#8211;&nbsp;<strong>Arquivo pessoal \/ Cacique Francisco Uruma<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Para Uruma, que tamb\u00e9m tem curso de&nbsp;<em>coaching<\/em>, \u00e9 preciso que os mais jovens, tamb\u00e9m em situa\u00e7\u00f5es como essa, tenham aten\u00e7\u00e3o e respeito cada vez que os mais velhos falam. Estar com os netos \u00e9 mostrar uni\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o, passar conhecimentos vividos e mostrar que ser av\u00f4 ind\u00edgena tamb\u00e9m faz parte da sabedoria milenar\u201d, diz o jovem av\u00f4 cacique, que \u00e9 pedagogo e agente de sa\u00fade. Em tempos de pandemia, ele organizou o povo para n\u00e3o receber visitantes. Nem mesmo a fam\u00edlia. A saudade dos netos \u00e9 uma parte dolorosa dessa hist\u00f3ria. A aldeia que recebia grupos de turistas teve que se fechar para se proteger. Assim, nem mesmo os familiares que vivem em outras regi\u00f5es podem entrar. \u201cA gente se fala por telefone e mensagens\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2>Ouvir os idosos<\/h2>\n\n\n\n<p>A ge\u00f3grafa M\u00e1rcia Kambeba, que \u00e9 mestre e pesquisadora sobre a identidade de sua etnia, ratifica que os av\u00f3s na aldeia ocupam espa\u00e7o destacado. \u201cQuando crian\u00e7a, n\u00f3s somos orientados a ouvir as narrativas dos nossos av\u00f3s. Os av\u00f3s s\u00e3o fundamentais na constru\u00e7\u00e3o do ser-pessoa. \u00c9 normal na aldeia a gente se reunir ao redor da cadeira de um idoso. Enquanto ele fala, todos t\u00eam que ouvir em sil\u00eancio. N\u00f3s somos treinados a ouvir\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela lembra que a fam\u00edlia a estimulava a visitar casas dos mais velhos para ouvir, a cada dia, uma hist\u00f3ria diferente. \u201c\u00c9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o em cada detalhe falado. Assim, fui aprendendo sobre o rio, sobre a mata e a espiritualidade. Isso contribui para crescermos num ambiente saud\u00e1vel. Os idosos s\u00e3o o eixo de transmiss\u00e3o dos saberes de um povo\u201d. Como pilar de vida, M\u00e1rcia destaca que a av\u00f3, Assunta, falecida&nbsp;em 2001, foi refer\u00eancia fundamental de vida para ela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/B9xYPsi7ZezELDQCZid5D2Sbma0=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/marcia_kambeba.jpg?itok=ggMeKR1R\" alt=\"Para M\u00e1rcia, a av\u00f3 Assunta foi o pilar da vida\" title=\"Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6>Para M\u00e1rcia, a av\u00f3 Assunta, que faleceu em 2001, \u00e9 a refer\u00eancia de vida&nbsp;&#8211;&nbsp;<strong>Arquivo pessoal<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>\u201cDeitada em uma rede com fibra de tucum, ela contava sobre as dificuldades que eu iria enfrentar\u201d. E apontou os caminhos. A av\u00f3 falava de natureza \u00e0 literatura. Hoje, M\u00e1rcia, que tamb\u00e9m \u00e9 escritora, leva poesia a asilos em grandes cidades. \u201cO lugar do idoso n\u00e3o \u00e9 no quarto do fundo da casa. Eles s\u00e3o nossos troncos velhos e n\u00e3o podem ser silenciados nem ficar \u00e0 margem de uma fam\u00edlia. H\u00e1 jovens que n\u00e3o querem mais ouvir narrativas. Isso entristece os mais velhos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2>Transmiss\u00e3o da&nbsp;cultura e saberes<\/h2>\n\n\n\n<p>O agricultor Simpl\u00edcio Arcanjo Rodrigues, de 59 anos, um dos fundadores da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), vive na comunidade de Rio das R\u00e3s, em Bom Jesus da Lapa (BA), onde vivem pelo menos 800 fam\u00edlias e mais de duas mil pessoas. Ele \u00e9 av\u00f4 de quatro netos. Todos est\u00e3o longe: tr\u00eas, a 150 km de dist\u00e2ncia, em outra comunidade na Bahia, e uma ca\u00e7ula em S\u00e3o Paulo. A pandemia adiou os encontros que costumavam ser frequentes nas f\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/RZ98C6ZT70AbKY7hJeP9f-ik4N4=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/simplicio.jpg?itok=q_R7Kcnu\" alt=\"Netos e filho de Simpl\u00edcio matam a saudade por mensagem de celular \" title=\"Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6>Simpl\u00edcio Rodrigues, longe dos netos, separa o feij\u00e3o colhido na comunidade quilombola&nbsp;&#8211;&nbsp;<strong>Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Ele entende que um dever de av\u00f4 \u00e9 garantir a transmiss\u00e3o da cultura e dos valores de luta do povo dele. Rodrigues reconhece que a invas\u00e3o de outras influ\u00eancias acabam afastando os jovens mesmo das comunidades centen\u00e1rias. \u201cO que eu passo para eles \u00e9 a cultura afro-brasileira, e os valores de respeito \u00e0 fam\u00edlia e a hist\u00f3ria do povo negro aqui no pa\u00eds. Conhecimento representa empoderamento\u201d. Escravid\u00e3o, mortes, fugas e preconceito fazem parte das discuss\u00f5es na comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele testemunha uma conquista local que foi direito \u00e0 terra onde a comunidade vive. A vit\u00f3ria na justi\u00e7a, mediante laudo antropol\u00f3gico, completou 14 anos, mesmo havendo registro da presen\u00e7a de quilombolas no local h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos. \u201cFoi muita luta porque havia disputa dessa \u00e1rea por outros grupos\u201d. Essa hist\u00f3ria \u00e9 uma das preferidas dos mais jovens. Tanto que ele faz quest\u00e3o de visitar as tr\u00eas escolas da comunidade quilombola para repetir a hist\u00f3ria do lugar. Por isso, ele se considera um av\u00f4 tamb\u00e9m para a comunidade. \u201cNossos ancestrais morreram na esperan\u00e7a que a gente melhorasse a situa\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria n\u00e3o pode morrer na gente\u201d. E n\u00e3o morre. H\u00e1 um cemit\u00e9rio nas proximidades da comunidade. E ele considera isso importante para \u201clembrar de onde viemos\u201d. &#8220;Os mortos carregaram os vivos. S\u00e3o nos nossos ancestrais que n\u00f3s buscamos for\u00e7a e resist\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com as influ\u00eancias de fora, afinal uma comunidade \u201cn\u00e3o \u00e9 uma bolha\u201d, Simpl\u00edcio Arcanjo testemunha que tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o mantidas, como pedir as b\u00ean\u00e7\u00e3os aos mais velhos e as festas religiosas em v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es. \u201cUma das coisas que a gente combinou por aqui \u00e9 que um deveria respeitar a religi\u00e3o do outro\u201d. S\u00e3o os mais velhos que devem passar isso para os mais jovens. \u201cA\u00ed tanto faz se \u00e9 neto de sangue ou n\u00e3o\u201d. Simpl\u00edcio sabe que, quando h\u00e1 eventos tur\u00edsticos na regi\u00e3o, que atraem brasileiros e at\u00e9 estrangeiros, os mais jovens conseguem explicar de onde vieram.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo de longe, a pequena Emanuele, de sete anos, neta de Simpl\u00edcio, diz que tem muito orgulho do que representa o av\u00f4 para a comunidade. \u201cEle \u00e9 um homem batalhador. Ele \u00e9 muito bom\u201d. A esposa de Simpl\u00edcio, Paulina Souza Rodrigues, de 59, professora de escola da comunidade, sente muito a falta da neta e est\u00e1 angustiada porque sabe que dificilmente ter\u00e1 a visita da neta no final do ano. \u201cTemos nos falado sempre. Ela diz que est\u00e1 com muita saudade. A neta n\u00e3o desgruda dos&nbsp;av\u00f3s nas f\u00e9rias. Quando ela vem, n\u00e3o para de brincar. Vai no rio comigo e pede para a gente contar hist\u00f3rias. Agora, est\u00e1 sendo por telefone\u201d. Paulina considera que o papel dos av\u00f3s est\u00e1 sendo desafiador porque as crian\u00e7as est\u00e3o encantadas pelas novidades tecnol\u00f3gicas e nem sempre eles nos escutam.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/JmyKiYDqEiE9vcnxV25TbmOJQsY=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/emanuele.jpg?itok=_hTgnbxg\" alt=\"Neta e av\u00f3 se encontram principalmente nas f\u00e9rias\" title=\"Arquivo pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Emanuele e a av\u00f3 sempre aguardam pelas f\u00e9rias, quando costumam se rever. Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" allowfullscreen=\"\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PqSMcfMAuPU\" width=\"560\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Quem celebra ter escutado a av\u00f3 \u00e9 a professora de portugu\u00eas Ros\u00e2ngela do Socorro Ramos, de 52 anos, que nasceu e foi criada na comunidade quilombola de Curia\u00fa, em \u00e1rea rural de Macap\u00e1 (AP). Hoje, a docente mora na cidade em fun\u00e7\u00e3o do trabalho, mas ela recorda que foi Maria Jovina Ramos (j\u00e1 falecida), que n\u00e3o p\u00f4de estudar, que estimulou que ela fosse fazer faculdade na Universidade Federal do Par\u00e1. Na formatura, em 1991, a av\u00f3 esbanjava orgulho da neta. \u201cMinha av\u00f3 me mostrou uma vis\u00e3o muito al\u00e9m do tempo dela. Mais do que escolaridade, ela e outras mulheres de minha comunidade fizeram quest\u00e3o de passar para a gente que as mulheres deveriam estudar e ocupar espa\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ros\u00e2ngela \u00e9 professora em \u00e1rea urbana, mas sempre volta \u00e0 comunidade. Um dos compromissos \u00e9 com a Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres M\u00e3e Venina do Quilombo do Curia\u00fa. A miss\u00e3o do grupo \u00e9 promover discuss\u00f5es com mulheres de v\u00e1rias faixas et\u00e1rias sobre independ\u00eancia feminina. \u201cMesmo com tantas influ\u00eancias que os mais jovens recebem de fora, as av\u00f3s que criaram muitas pessoas na comunidade querem ser ouvidas\u201d. Entre as mensagens, o est\u00edmulo ao estudo e ao trabalho para que n\u00e3o fiquem confinadas em uma perspectiva dom\u00e9stica. \u201cA associa\u00e7\u00e3o foi criada por inspira\u00e7\u00e3o de mulheres como a minha av\u00f3\u201d. E de outras mulheres, como a professora Celeste Silva, de 75 anos, 30 netos e 15 bisnetos. \u201cOs dias s\u00e3o dif\u00edceis com as novas gera\u00e7\u00f5es, mas n\u00f3s precisamos continuar ensinando o respeito, independentemente de ser fam\u00edlia ou n\u00e3o. Aqui na comunidade quilombola, tentamos trazer essas conversas sempre. Nesse momento, ficamos mais distantes por causa do v\u00edrus\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/WXzjAFFkQvcPVdjwNGQMDViJz6c=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/rosangela_e_a_avo_0.jpg?itok=b35qcCwR\" alt=\"Ros\u00e2ngela lembra que foi a av\u00f3 que a estimulou para o estudo\" title=\"Arquivo pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6>Ros\u00e2ngela lembra que foi a av\u00f3 que a estimulou para o estudo &#8211;&nbsp;<strong>Arquivo pessoal<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h2>Em grandes cidades<\/h2>\n\n\n\n<p>A aposentada Ant\u00f4nia Braz da Silva, de 74 anos, mora na zona leste de S\u00e3o Paulo desde a inf\u00e2ncia, quando os pais deixaram o distrito de Pedra Tapada, na cidade de Limoeiro (PE), para come\u00e7ar tudo de novo na capital econ\u00f4mica do pa\u00eds. Av\u00f3 de sete netos e vi\u00fava, ela mora sozinha e tem se sentido angustiada e \u201cpresa\u201d com a pandemia. A comunica\u00e7\u00e3o passou a ser apenas por videoconfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o sei quando os verei de perto de novo e quando vir\u00e3o aqui (tr\u00eas dos quatro filhos n\u00e3o vivem mais em S\u00e3o Paulo)\u201d. Mesmo acostumada com a dist\u00e2ncia, ela se sentiu agora mais isolada. Sente falta, por exemplo, da possibilidade da presen\u00e7a e de contar hist\u00f3rias da fam\u00edlia. \u201cQuando eles eram menores, faziam mais perguntas e ouviam mais. Hoje, j\u00e1 s\u00e3o adultos e t\u00eam menos tempo\u201d. Ficou mais satisfeita no ano passado, quando precisou fazer uma cirurgia, e os netos passaram a perguntar mais sobre ela. Durante a quarentena, vibra com cada liga\u00e7\u00e3o que recebe.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/qWOEjPb7KRaq70Pr8XNvzphjd3U=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/antonia.jpg?itok=rw6E13-5\" alt=\"Ant\u00f4nia mora em S\u00e3o Paulo sozinha e sente falta dos netos para contar hist\u00f3rias\" title=\"Arquivo pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6>Ant\u00f4nia mora em S\u00e3o Paulo sozinha e sente falta dos netos para contar hist\u00f3rias &#8211;&nbsp;<strong>Arquivo pessoal<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Cada liga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem um sabor especial para a enfermeira Eleuza Martinelli, em Bras\u00edlia. S\u00f3 que, no caso dela, ser av\u00f3 \u00e9 uma novidade que surgiu durante a pandemia. \u201cSempre sonhei em me tornar av\u00f3 e em julho de 2019 recebi a not\u00edcia de que este sonho iria se realizar. Tudo muito escolhido e preparado para recebermos a Rafaela. Minha primeira neta\u201d. A menina nasceu em Goi\u00e2nia (GO), em 26 de fevereiro, data em que foi registrado o primeiro caso de covid-19&nbsp;no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/NwWgWUhirmDwI17Jvr0jGIhoyzY=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/eleuza.png?itok=eKlkdl9M\" alt=\"Dia dos Av\u00f3s: Eleuza fala diariamente com a neta\" title=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6>Eleuza fala diariamente com a filha e a neta, que completa, neste domingo, cinco meses de vida&nbsp;&#8211;&nbsp;<strong>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p><br>\u201cN\u00e3o imagin\u00e1vamos que a doen\u00e7a iria trazer tantos transtornos e mudar muitos nossos planos. A alegria era muito grande. Uma mistura de sentimentos de av\u00f3 e de m\u00e3e que \u00e9 indescrit\u00edvel. Por\u00e9m a pandemia mudou nossos planos e achamos melhor nos distanciar\u201d. A partir da\u00ed, as conversas, orienta\u00e7\u00f5es e carinhos tornaram-se virtuais, mesmo que t\u00e3o reais. \u201cTrocas de mensagens e chamadas de v\u00eddeos viraram rotinas. Neste domingo (26), ela faz 5 meses e est\u00e1 cada dia mais esperta\u201d. N\u00e3o era de longe como Eleuza e o marido, Jaime, esperavam passar o dia dos av\u00f3s, mas&#8230;\u201cFalo todos os dias com minha filha Mariana, recebemos v\u00eddeos e fotos de cada novidade. Sempre reinventando uma nova forma de compensar o contato f\u00edsico. Aprendemos uma nova maneira de amar que transcende todas as barreiras que a pandemia trouxe\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A comerciante Gra\u00e7a Carvalho, de 61 anos, av\u00f3 de tr\u00eas netos, mora em Parnamirim (RN), na Grande Natal, e optou por ficar longe para se proteger e tamb\u00e9m \u00e0 m\u00e3e dela, Maria, de 95 anos. Est\u00e1 passando um tempo na casa da fam\u00edlia, em Santana do Matos, a 200 km da capital potiguar. Gra\u00e7a foi av\u00f3 pela terceira vez durante a pandemia. Ana Let\u00edcia completou um m\u00eas de vida. \u201cO que a gente deseja para os netos \u00e9 amor, prote\u00e7\u00e3o. Nesse momento, a forma de fazer isso \u00e9 todo mundo se cuidar ficando longe\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/bmTP-V6NcH9_9AAtkJWkGWK-XSE=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/graca_carvalho2.jpg?itok=1vhp3o5e\" alt=\"Gra\u00e7a Carvalho foi para o interior no RN e v\u00ea a neta de tr\u00eas meses pelo celular\" title=\"Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6>Gra\u00e7a Carvalho foi para o interior no RN e v\u00ea a neta de um m\u00eas pelo celular &#8211;&nbsp;<strong>Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h2>O cuidado com os idosos<\/h2>\n\n\n\n<p>Av\u00f3s t\u00eam raz\u00e3o em estar em alerta e serem cuidadosos, mas a contamina\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa uma senten\u00e7a de morte, segundo o m\u00e9dico Thiago Rodrigues, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, no Distrito Federal. Ele testemunha que a possibilidade da infec\u00e7\u00e3o tem elevado a tens\u00e3o entre os mais velhos, mas \u00e9 necess\u00e1rio, sobretudo, fazer a preven\u00e7\u00e3o adequada. \u201cNesse momento, guardar distanciamento \u00e9 importante. Os idosos s\u00e3o elos mais fracos e vulner\u00e1veis. Nesse Dia dos Av\u00f3s, a celebra\u00e7\u00e3o tem que ser com distanciamento dos mais jovens\u201d. O m\u00e9dico explica que o organismo dos idosos \u00e9 mais suscet\u00edvel principalmente por causa da pneumonia que o v\u00edrus pode provocar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pneumonia viral acaba inflamando o nosso pulm\u00e3o e diminui a capacidade de oxigena\u00e7\u00e3o do nosso sangue. Nos idosos, pelo processo de envelhecimento natural, eles est\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0s doen\u00e7as cr\u00f4nicas que afetam o organismo de forma sist\u00eamica. Quem tem alguma comorbidade acaba tendo uma descompensa\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as que j\u00e1 possu\u00eda\u201d, explica. Al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com o distanciamento, o m\u00e9dico indica que \u00e9 necess\u00e1ria tamb\u00e9m aten\u00e7\u00e3o com o estado emocional dos mais velhos. \u201cO distanciamento f\u00edsico n\u00e3o deve significar isolamento de carinho. Um reflexo positivo desse momento tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o das pessoas se conectarem mais. Uma condi\u00e7\u00e3o de muitos idosos em momento de n\u00e3o-pandemia j\u00e1 era o de isolamento e eram colocados \u00e0 margem. Nesse momento, os jovens tamb\u00e9m est\u00e3o experimentando isso e percebem tamb\u00e9m que existe solid\u00e3o. Uma liga\u00e7\u00e3o nesse Dia dos Av\u00f3s \u00e9 um gesto importante nesse contexto. Ap\u00f3s a pandemia, imagino que pode haver um renascimento do desejo de abra\u00e7ar e de estar mais perto dos idosos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No outro lado desse abra\u00e7o, pode estar a crian\u00e7a. Presidente do Departamento de Imuniza\u00e7\u00f5es da Sociedade de Pediatria de S\u00e3o Paulo, o m\u00e9dico Marco Aur\u00e9lio S\u00e1fadi, explica que as complica\u00e7\u00f5es com crian\u00e7as e beb\u00eas s\u00e3o muito raras. \u201cN\u00e3o quer dizer que n\u00e3o exista risco. A maioria das crian\u00e7as que tem a doen\u00e7a passa de uma forma tranquila. Temos d\u00favidas sobre o papel das crian\u00e7as na transmiss\u00e3o do v\u00edrus. Dados preliminares indicam que os principais transmissores s\u00e3o adultos jovens. Mas \u00e9 necess\u00e1ria muita cautela e especial cuidado em caso de conviv\u00eancia entre crian\u00e7as e av\u00f3s\u201d. O m\u00e9dico recomenda que as crian\u00e7as, de todas as idades, devem utilizar m\u00e1scara para prote\u00e7\u00e3o dos mais velhos. No aspecto emocional, ele considera que, em uma situa\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-pandemia, os mais novos ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de se readaptar \u00e0 realidade. \u201cElas t\u00eam uma capacidade de superar o que ocorreu. Mas devemos considerar os contextos sociais de muitas fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de precariedade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga Daniela Taborianski Lima, que atua em Bauru (SP), concorda que as crian\u00e7as t\u00eam uma compreens\u00e3o maior e capacidade de readapta\u00e7\u00e3o que os adultos desconhecem. Mesmo diante da dist\u00e2ncia dos av\u00f3s, h\u00e1 um lugar reconhecido pelos menores. \u201cOs av\u00f3s trazem um modelo de amorosidade, que representa seguran\u00e7a. Tanto \u00e9 assim que, em momentos de dificuldade e dor, costumamos recordar da experi\u00eancia com eles e elas\u201d. A psic\u00f3loga recomenda que os adultos devam conversar abertamente sobre a situa\u00e7\u00e3o com os menores, explicando que essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1ria e que, por isso, se deu o isolamento. Da mesma forma, ela salienta que, tanto para crian\u00e7as como para os idosos, momentos como esse podem requerer acompanhamento profissional de forma que as pessoas sejam cuidadas emocionalmente. Inclusive, Daniela Lima experimenta aos 40 anos a experi\u00eancia de ser av\u00f3. \u201cEst\u00e1 sendo uma experi\u00eancia enriquecedora e amorosa com minha pequena Alice, de dois anos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2>&#8220;Amorosidade tamb\u00e9m \u00e9 ensinado&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p>Seja nas comunidades centen\u00e1rias, em \u00e1rea rural, sob o movimento da natureza, ou apreendido nas correrias das vidas urbanas, chamar v\u00f3 e v\u00f4 costuma aliviar o dia. \u201cAmorosidade tamb\u00e9m \u00e9 ensinado\u201d, explica a psic\u00f3loga. Amor para ensinar a pescar, lutar e traduzir os \u201cmist\u00e9rios da vida\u201d. Por enquanto, de longe. \u201cEm breve vamos nos encontrar em um novo normal. A vida vai seguir e em cada etapa vamos reinventar uma forma de viver intensamente esse amor que at\u00e9 ent\u00e3o eu desconhecia\u201d, diz a av\u00f3 Eleuza Martinelle, em Bras\u00edlia. \u201cEu n\u00e3o sei se tenho tanto a ensinar. Mas sei falar do passado\u201d, como diz o av\u00f4 Simpl\u00edcio Rodrigues, em comunidade quilombola na Bahia. Av\u00f3s s\u00e3o feitos desse saber vivo, de uma saudade em andamento, e desse lugar-amor multiplicado.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Beatriz Arcoverde<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a9 Reuters \/ Pilar Olivares \/ Direitos Reservados Na proa da canoa, o menino Francisco Uruma olhava para o pai e para o av\u00f4, que, em concentra\u00e7\u00e3o, buscavam o pirarucu nas \u00e1guas do rio, no Alto Solim\u00f5es. Era mais do que uma pesca. Da mesma forma, o caminho pela mata para buscar a\u00e7a\u00ed era mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":10894,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"beyondwords_generate_audio":"","beyondwords_project_id":"","beyondwords_podcast_id":"","beyondwords_hash":"","beyondwords_error_message":"","beyondwords_disabled":"","publish_post_to_speechkit":"","speechkit_generate_audio":"","speechkit_project_id":"","speechkit_podcast_id":"","speechkit_hash":"","speechkit_error_message":"","speechkit_disabled":"","speechkit_access_key":"","speechkit_error":"","speechkit_info":"","speechkit_response":"","speechkit_retries":"","_speechkit_link":"","_speechkit_text":""},"categories":[134],"tags":[4098,4099],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10893"}],"collection":[{"href":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10893"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10893\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}