{"id":29173,"date":"2021-12-06T11:19:12","date_gmt":"2021-12-06T14:19:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pinews.com.br\/?p=29173"},"modified":"2021-12-06T11:19:12","modified_gmt":"2021-12-06T14:19:12","slug":"depois-do-sucesso-do-pix-banco-central-prepara-moeda-virtual-para-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/2021\/12\/06\/depois-do-sucesso-do-pix-banco-central-prepara-moeda-virtual-para-2022\/","title":{"rendered":"Depois do sucesso do Pix, Banco Central prepara moeda virtual para 2022"},"content":{"rendered":"\n<p>Programar uma geladeira inteligente para comprar sozinha os produtos que est\u00e3o faltando ou ter os itens cobrados automaticamente quando s\u00e3o colocados no carrinho do supermercado sem precisar passar pelo caixa podem parecer cenas de um filme futurista. Mas s\u00e3o promessa do Banco Central para uma realidade n\u00e3o muito distante.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do sucesso do Pix, o BC quer ampliar as formas de pagamento no Pa\u00eds com o real digital, ou a vers\u00e3o virtual da moeda brasileira. A institui\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou na semana passada um laborat\u00f3rio para avaliar possibilidades de uso e a capacidade de execu\u00e7\u00e3o de projetos com o real digital e prev\u00ea come\u00e7ar testes com grupos espec\u00edficos at\u00e9 o fim de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>O real digital tamb\u00e9m tende a facilitar e baratear a cria\u00e7\u00e3o de contratos de empr\u00e9stimos personalizados, para poucos dias ou com pagamentos em meses espec\u00edficos. E ainda pode favorecer a integra\u00e7\u00e3o com sistemas de pagamentos internacionais, permitindo que se fa\u00e7a uma compra em outro pa\u00eds com convers\u00e3o imediata.<\/p>\n\n\n\n<p>Os testes, contudo, tendem a durar um bom tempo, e a moeda virtual deve demorar muito mais que o Pix para chegar ao consumidor final. O BC vai precisar criar um novo ambiente financeiro para coloc\u00e1-la de p\u00e9, com todas as garantias de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o de dados dos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 quase como se estiv\u00e9ssemos fazendo mais um sistema financeiro para funcionar acoplado ao que temos hoje&#8221;, destaca o coordenador dos trabalhos sobre o real digital no BC, Fabio Araujo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Banco Central j\u00e1 definiu algumas diretrizes para o real digital, mas espera o resultado do laborat\u00f3rio para fechar o desenho completo. J\u00e1 est\u00e1 certo que a moeda virtual vai ser &#8220;id\u00eantica&#8221; ao real em papel, mas s\u00f3 vai poder ser usada em transa\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas e ser\u00e1 armazenada em carteiras digitais de institui\u00e7\u00f5es financeiras. A moeda digital vai al\u00e9m do Pix ou qualquer transfer\u00eancia eletr\u00f4nica porque permitir\u00e1 movimentar reais que n\u00e3o existem fisicamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diferen\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A tecnologia a ser utilizada ainda n\u00e3o foi definida, mas o blockchain, que \u00e9 usado nas criptomoedas, como o bitcoin, \u00e9 o caminho mais prov\u00e1vel. Por\u00e9m, diferentemente do bitcoin e de outros criptoativos, o real digital estar\u00e1 sob o controle do BC, ou seja, ser\u00e1 uma Moeda Digital do Banco Central (CBDC, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, ser\u00e1 reconhecido oficialmente como moeda brasileira. Ou seja, o valor sempre estar\u00e1 atrelado ao mesmo do real convencional. J\u00e1 as criptomoedas n\u00e3o s\u00e3o consideradas moedas correntes, mas um ativo (que precisa ser convertido por uma moeda convencional, seja d\u00f3lar ou real) com valor inst\u00e1vel e efeito especulativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, apenas as Bahamas t\u00eam uma CBDC em plena opera\u00e7\u00e3o, o sand dollar (d\u00f3lar de areia), mas outros bancos centrais est\u00e3o desenvolvendo suas moedas digitais. A China j\u00e1 tem um piloto em funcionamento em algumas cidades e pretende fazer testes com visitantes nos Jogos Ol\u00edmpicos de Inverno de Pequim, no ano que vem.<\/p>\n\n\n\n<p>Su\u00e9cia, Coreia e Jap\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e3o mais avan\u00e7ados. Mas a maioria dos projetos mais adiantados planeja resolver problemas do sistema de pagamentos atual, como concentra\u00e7\u00e3o de mercado ou aus\u00eancia de um meio de pagamento instant\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a expectativa \u00e9 que o real digital aumente a inova\u00e7\u00e3o, criando solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o eram vi\u00e1veis com o dinheiro em papel ou ent\u00e3o barateando as j\u00e1 existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Muitos bancos centrais pretendem melhorar o sistema de pagamentos ou trazer acesso aos n\u00e3o bancarizados. N\u00e3o \u00e9 o caso do Brasil, que j\u00e1 tem o Pix. O BC quer uma maior efici\u00eancia de troca em um mundo digital&#8221;, explica Marcos Viriato, presidente da Parfin, fintech global de criptomoedas e especialista no assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o estamos atrasados em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses que est\u00e3o fazendo pagamentos de atacado e pagamentos instant\u00e2neos, porque j\u00e1 temos solu\u00e7\u00f5es e a CBDC traria apenas ganhos marginais sobre elas. Ent\u00e3o, temos tempo para desenvolver uma plataforma de pagamentos inteligentes e trazer intelig\u00eancia do mercado cripto para dentro do ambiente de forma segura&#8221;, diz Araujo, do BC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Possibilidades<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban) criou um grupo de trabalho para debater o real digital e, com ajuda de uma consultoria, encontrou 26 possibilidades de uso da moeda no mundo. No caso brasileiro, por\u00e9m, seriam 12, divididos em tr\u00eas grandes grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro deles seria o delivery versus pagamento, que s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es que permitiriam que o pagamento de uma encomenda ocorresse ao mesmo tempo da entrega. J\u00e1 o segundo grupo \u00e9 de formas de pagamento conectado \u00e0 internet das coisas, como \u00e9 o caso da geladeira inteligente, em que m\u00e1quinas tomam decis\u00f5es com base em algum evento do mundo real.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra aplica\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 &#8220;tokeniza\u00e7\u00e3o&#8221; de investimentos tradicionais, isto \u00e9, representados em ambiente digital e negociados via blockchain. A vantagem, neste caso, \u00e9 que o token &#8211; que representa uma obra de arte, um im\u00f3vel ou uma arroba de boi, por exemplo &#8211; pode ser dividido em partes, com valores mais &#8220;acess\u00edveis&#8221; para a maioria dos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o diretor de Inova\u00e7\u00e3o, Produtos e Servi\u00e7os Banc\u00e1rios da Febraban, Leandro Vilain, o grupo agora vai dar um &#8220;mergulho mais profundo&#8221; nesses 12 casos para avaliar quais seriam os priorit\u00e1rios, com base nas demandas do cliente. A expectativa \u00e9 de que at\u00e9 o fim do ano a Febraban tenha em m\u00e3os e apresente ao BC uma lista de projetos que o setor tem mais apetite para investir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Passo a passo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O edital para a inscri\u00e7\u00e3o de projetos relacionados ao real digital no laborat\u00f3rio criado pela Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Associa\u00e7\u00f5es dos Servidores do Banco Central (Fenasbac) em parceria com o BC ficar\u00e1 aberto de 10 de janeiro a 11 de fevereiro. A sele\u00e7\u00e3o vai mirar modelos de neg\u00f3cios que tragam ganhos para o sistema financeiro atual e que tenham capacidade de execu\u00e7\u00e3o ao longo do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos conversado com os bancos e fintechs. Temos um leque de ideias, mas queremos saber onde tem interesse do mercado em atuar para saber por qual caminho vamos desenvolver a tecnologia&#8221;, explica Araujo, do BC.<\/p>\n\n\n\n<p>As propostas selecionadas ser\u00e3o divulgadas no in\u00edcio de mar\u00e7o e, na sequ\u00eancia, de 28 de mar\u00e7o a 29 de julho, ser\u00e1 a etapa de execu\u00e7\u00e3o. Nessa fase, servidores do Banco Central e volunt\u00e1rios do mercado e da academia far\u00e3o um acompanhamento da evolu\u00e7\u00e3o dos projetos a cada 15 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa da dire\u00e7\u00e3o do BC \u00e9 de que, ao final desse processo, j\u00e1 tenha produtos maduros que poderiam ser levados para o mundo real. Depois, o \u00f3rg\u00e3o precisar\u00e1 integr\u00e1-los ao sistema atual, um processo que deve demorar mais tempo. &#8220;Mas a ideia \u00e9 fazer algumas integra\u00e7\u00f5es parciais para ter pilotos espec\u00edficos e testar com consumidores e provedores de servi\u00e7os financeiros&#8221;, afirma Araujo. &#8220;N\u00f3s esperamos que a fase de pilotos se inicie em 2022 e entre em 2023.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Programar uma geladeira inteligente para comprar sozinha os produtos que est\u00e3o faltando ou ter os itens cobrados automaticamente quando s\u00e3o colocados no carrinho do supermercado sem precisar passar pelo caixa podem parecer cenas de um filme futurista. Mas s\u00e3o promessa do Banco Central para uma realidade n\u00e3o muito distante. 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