{"id":29207,"date":"2021-12-08T11:14:19","date_gmt":"2021-12-08T14:14:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pinews.com.br\/?p=29207"},"modified":"2021-12-08T11:14:19","modified_gmt":"2021-12-08T14:14:19","slug":"pf-investiga-suposto-superfaturamento-de-r-130-milhoes-na-impressao-de-provas-do-enem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/2021\/12\/08\/pf-investiga-suposto-superfaturamento-de-r-130-milhoes-na-impressao-de-provas-do-enem\/","title":{"rendered":"PF investiga suposto superfaturamento de R$ 130 milh\u00f5es na impress\u00e3o de provas do Enem"},"content":{"rendered":"\n<p>A Pol\u00edcia Federal deflagrou na manh\u00e3 de ontem a Opera\u00e7\u00e3o Bancarrota para investigar suposto superfaturamento de R$ 130 milh\u00f5es em contratos fechados com a gr\u00e1fica para impress\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem). As fraudes, como revelou o Estad\u00e3o em 2019, teriam ocorrido durante quase dez anos, em diferentes governos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os investigadores, as apura\u00e7\u00f5es desenvolvidas em conjunto com a Controladoria Geral da Uni\u00e3o (CGU) miram contratos de R$ 880 milh\u00f5es. A PF investiga se o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) contratou uma empresa para realiza\u00e7\u00e3o do Enem &#8220;sem observar as normas de inexig\u00eancia de licita\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O Inep passa por uma crise desde o m\u00eas passado, que levou ao pedido de exonera\u00e7\u00e3o de 37 servidores, com den\u00fancias de interfer\u00eancias no Enem. A opera\u00e7\u00e3o da PF n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o direta com os casos e envolve contratos feitos entre 2010 e 2019, nos governos de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro<\/p>\n\n\n\n<p>Os agentes cumpririam 41 mandados de busca e apreens\u00e3o no Distrito Federal, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. As ordens foram expedidas pela Justi\u00e7a Federal, que ainda determinou o sequestro de R$ 130 milh\u00f5es de empresas e pessoas sob suspeita. A ofensiva investiga supostos crimes de organiza\u00e7\u00e3o criminosa, corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva, crimes da Lei de Licita\u00e7\u00f5es e lavagem de dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A PF diz ainda que suspeita de &#8220;enriquecimento il\u00edcito&#8221; de R$ 5 milh\u00f5es por servidores do Inep supostamente envolvidos no esquema. O suposto superfaturamento de R$ 130 milh\u00f5es teria sido desviado &#8220;para fins de comissionamento&#8221; do grupo, que teria empres\u00e1rios, funcion\u00e1rios das empresas envolvidas e servidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 2019, o Estad\u00e3o mostrou que havia suspeitas de direcionamento das licita\u00e7\u00f5es envolvendo a gr\u00e1fica que imprimiu as provas do Enem durante 2010 e 2018 e havia decretado fal\u00eancia naquele ano, a RR Donnelley. A multinacional assumiu a impress\u00e3o da prova depois de outro esc\u00e2ndalo, o do vazamento do Enem, em 2009, tamb\u00e9m revelado pelo Estad\u00e3o. O exame foi furtado de dentro da Gr\u00e1fica Plural e os respons\u00e1veis tentaram vend\u00ea-lo a jornalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por causa disso, a RR Donnelley, que era a empresa que atendia aos mais altos requisitos de seguran\u00e7a na \u00e9poca, foi chamada para fazer o novo exame. Depois disso, ela ganhou todas as licita\u00e7\u00f5es do Enem ou teve seu contrato renovado sem passar por concorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Relat\u00f3rio do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) chegou a recomendar em 2018 que n\u00e3o houvesse &#8220;excesso de rigor&#8221; nas exig\u00eancias da licita\u00e7\u00e3o, o que restringia a competi\u00e7\u00e3o porque apenas a RR Donnelley poderia cumpri-las. Tamb\u00e9m pediu que o contrato n\u00e3o fosse mais prorrogado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, empresa ganhou mais um preg\u00e3o em 2019, mas decretou fal\u00eancia em seguida. Surgiram ent\u00e3o den\u00fancias de que o suposto esquema teria sido transferido para outra gr\u00e1fica, a Valid SA, que havia ficado em terceiro lugar na licita\u00e7\u00e3o. A Valid SA acabou imprimindo a prova em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A gr\u00e1fica informou, por meio de nota, que &#8220;cumpre estritamente as leis e regula\u00e7\u00f5es aplic\u00e1veis e est\u00e1 totalmente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para continuar colaborando com a apura\u00e7\u00e3o dos fatos&#8221;. Em 2020 e em 2021, quem ficou com o trabalho, depois de vencer a concorr\u00eancia, foi novamente a Gr\u00e1fica Plural. A empresa n\u00e3o foi considerada culpada no processo que investigou o roubo do Enem.<\/p>\n\n\n\n<p>As apura\u00e7\u00f5es, segundo a CGU, t\u00eam justamente como base uma auditoria realizada em 2019 que apontou irregularidades nos contratos assinados pelo Inep no valor de R$ 728 milh\u00f5es. A CGU n\u00e3o cita os nomes das empresas em sua nota \u00e0 imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o \u00f3rg\u00e3o, as investiga\u00e7\u00f5es &#8220;revelaram a atua\u00e7\u00e3o de diretores e servidores do Instituto, juntamente com consultores das gr\u00e1ficas contratadas, no direcionamento da contrata\u00e7\u00e3o das empresas para impress\u00e3o das provas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alvos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os alvos da investiga\u00e7\u00e3o que culminou na Opera\u00e7\u00e3o Bancarrota est\u00e1 Eunice de Oliveira Ferreira Santos, que foi respons\u00e1vel pela Diretoria de Gest\u00e3o e Planejamento (DGP) do Inep em 2018 e fazia o contato com a gr\u00e1fica. Eunice \u00e9 servidora do Inep h\u00e1 mais de 20 anos. Teve cargos importantes durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas n\u00e3o nos anos do PT. No in\u00edcio da presid\u00eancia de Jair Bolsonaro, em 2019, foi cedida para o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Regional. De l\u00e1 foi para a Secretaria-Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, como supervisora, onde ficou at\u00e9 julho de 2020. Depois disso, foi cedida para o governo do Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Eunice negou os il\u00edcitos e disse que, em processo aberto pela CGU contra ela e mais oito servidores do Inep, &#8220;n\u00e3o existe nenhuma prova ou mesmo ind\u00edcio&#8221; que ela recebeu recurso de qualquer empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo apurou o Estad\u00e3o, outro alvo \u00e9 Amilton Garrau, que foi diretor da gr\u00e1fica RR Donnelley e era o principal contato com o Inep nos anos em que a empresa imprimiu o exame. Depois da fal\u00eancia da gr\u00e1fica, ele passou a atuar como consultor da Valid SA.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvido em 2019 por causa das den\u00fancias, ele negou qualquer envolvimento il\u00edcito ao Estad\u00e3o. A reportagem tentou contato com ele ontem, mas Garrau n\u00e3o respondeu. Durante anos, nos governos de Lula, Dilma e Temer, servidores contam que ele circulava pelo Inep e mantinha rela\u00e7\u00f5es com diretores e presidentes do \u00f3rg\u00e3o. Na comemora\u00e7\u00e3o de 20 anos do Enem, em 2018, Garrau participou de v\u00eddeos feitos pelo governo e recebeu homenagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro investigado \u00e9 Gerson Le\u00e3o Passos, que era de equipe t\u00e9cnica que acompanhava contratos de gr\u00e1fica. Ele n\u00e3o foi localizado pela reportagem. Procurado, o Inep disse que &#8220;a gest\u00e3o da autarquia est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necess\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: Estad\u00e3o Conte\u00fado <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Pol\u00edcia Federal deflagrou na manh\u00e3 de ontem a Opera\u00e7\u00e3o Bancarrota para investigar suposto superfaturamento de R$ 130 milh\u00f5es em contratos fechados com a gr\u00e1fica para impress\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem). As fraudes, como revelou o Estad\u00e3o em 2019, teriam ocorrido durante quase dez anos, em diferentes governos. 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