{"id":8191,"date":"2020-05-25T08:47:56","date_gmt":"2020-05-25T11:47:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pinews.com.br\/?p=8191"},"modified":"2020-05-25T08:47:56","modified_gmt":"2020-05-25T11:47:56","slug":"no-brasil-apenas-um-de-tres-pacientes-graves-com-covid-19-sobrevive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/2020\/05\/25\/no-brasil-apenas-um-de-tres-pacientes-graves-com-covid-19-sobrevive\/","title":{"rendered":"No Brasil, apenas um de tr\u00eas pacientes graves com covid-19 sobrevive"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o <\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Apenas um em cada tr\u00eas pacientes graves de&nbsp;covid-19&nbsp;que s\u00e3o entubados nas UTIs brasileiras se recupera e consegue voltar para casa. A mortalidade desses doentes \u00e9 de 66%, um n\u00famero muito alto quando comparado aos internacionais. Segundo especialistas, o porcentual reflete as precariedades do sistema de sa\u00fade do Pa\u00eds e, eventualmente, o uso indiscriminado de medicamentos sem benef\u00edcios comprovados cientificamente, como a cloroquina.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A conclus\u00e3o \u00e9 de um levantamento do Projeto UTIs Brasileiras, da Associa\u00e7\u00e3o de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) e do Epimed \u2013 uma ferramenta de an\u00e1lise de dados e desempenho hospitalar. A coleta de informa\u00e7\u00f5es foi feita entre os dias 1.\u00ba de mar\u00e7o e 15 de maio em 450 hospitais em todo o Brasil, envolvendo 13.600 leitos de terapia intensiva \u2013 o que equivale a cerca de um ter\u00e7o das vagas para adultos nessas unidades.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Os pacientes mais graves s\u00e3o aqueles que est\u00e3o internados em uma unidade de terapia intensiva e demandam apoio de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica para continuar respirando. Por isso, a mortalidade desses doentes \u00e9 for\u00e7osamente alta em qualquer lugar do mundo. No Reino Unido, por exemplo, \u00e9 de 42%, e, na Holanda, chega a 44%. Um outro estudo, restrito \u00e0 cidade de Nova York, revelou um porcentual ainda mais alto, de 88%.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cA mortalidade geral na UTI \u00e9 de 21%, entretanto, entre a popula\u00e7\u00e3o de pacientes mais graves, chega a 66%\u201d, compara o coordenador do Projeto UTIs Brasileiras, o m\u00e9dico intensivista Ederlon Rezende. \u201cOu seja, de cada tr\u00eas pacientes que v\u00e3o para a ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, apenas um sobrevive. Essa doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma gripezinha.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">O tamb\u00e9m m\u00e9dico intensivista Jorge Salluh, pesquisador do IDOR e fundador da Epimed Solutions, concorda com o colega e especula sobre as raz\u00f5es da mortalidade t\u00e3o alta. \u201cEste porcentual \u00e9 muito alto para qualquer doen\u00e7a, qualquer estat\u00edstica, \u00e9 um n\u00famero assustador\u201d, diz. \u201cEu n\u00e3o tenho esses dados, \u00e9 uma infer\u00eancia, mas o que parece \u00e9 que estamos esquecendo de medidas de preven\u00e7\u00e3o adotadas nas UTIs. O uso de tratamentos experimentais, como a cloroquina e outras subst\u00e2ncias, todas igualmente com poucas evid\u00eancias, podem ser um fator. Interven\u00e7\u00f5es farmacol\u00f3gicas n\u00e3o comprovadas aumentam o risco de morte por efeitos colaterais\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Os dados das UTIs s\u00e3o levantados a partir de question\u00e1rios respondidos diariamente sobre os pacientes (como sexo e idade) e os procedimentos adotados. Os medicamentos ministrados n\u00e3o constam do levantamento. \u201cPessoalmente, acho que o uso da hidroxicloroquina tem prejudicado nossos pacientes, principalmente aqueles que evoluem com a forma grave da doen\u00e7a e v\u00e3o para as UTIs\u201d, afirmou Rezende. \u201cMas estes dados n\u00e3o nos permitem afirmar isto\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A infectologista da Unicamp Raquel Stucchi tem opini\u00e3o semelhante. \u201cPelos estudos com pacientes graves j\u00e1 publicados, sabemos que a cloroquina aumenta o risco de efeitos adversos e morte. Mas n\u00e3o d\u00e1 para inferir isso para o Brasil enquanto n\u00e3o soubermos quem usou e quem n\u00e3o usou a droga.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Curiosamente, essa mortalidade \u00e9 similar nas unidades privadas (65%) e p\u00fablicas (69%). Uma das raz\u00f5es pode vir do pr\u00f3prio perfil do universo pesquisado. Foram 322 hospitais privados e 128 p\u00fablicos. Os especialistas, no entanto, levantam outras hip\u00f3teses. \u201cEm geral, o paciente dos hospitais privados s\u00e3o menos graves que os dos p\u00fablicos; como a rede privada tem mais leitos dispon\u00edveis, ela \u00e9 mais flex\u00edvel no crit\u00e9rio de admiss\u00e3o em UTIs\u201d, explica Rezende. \u201cMas quando olhamos a mortalidade de um subgrupo muito espec\u00edfico, essa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 mais correta e vemos que a mortalidade \u00e9 parecida.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Os especialistas lembram que os hospitais que participam do levantamento tendem a ser os mais bem organizados, o que pode levar a um retrato mais otimista da realidade. \u201cTemos de olhar para esses dados com a ideia de que sejam melhores do que o do nosso mundo c\u00e3o, em hospitais que n\u00e3o est\u00e3o organizados e j\u00e1 apresentam o sistema colapsado\u201d, diz o especialista.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Um outro dado que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores foi a faixa et\u00e1ria dos pacientes de covid-19 internados em UTIs. Quarenta e um por cento t\u00eam menos de 65 anos. O porcentual \u00e9 ainda mais alto (51%) entre os internados por s\u00edndrome respirat\u00f3ria de car\u00e1ter infeccioso \u2013 condi\u00e7\u00e3o que pode indicar casos n\u00e3o diagnosticados de coronav\u00edrus. \u201cDefinitivamente, esta n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a de velhinhos\u201d, afirmou Rezende.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A grande maioria dos internados em UTIs com covid-19 (71%) ou s\u00edndrome respirat\u00f3ria (75%) apresenta alguma comorbidade, como problemas card\u00edacos, diabetes e obesidade. \u201cAinda assim, \u00e9 bom ressaltar que cerca de 30% n\u00e3o tinham nada\u201d, lembrou o coordenador do levantamento. \u201cOu seja, a doen\u00e7a pode afetar qualquer pessoa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Outro dado confirmado pelo levantamento \u00e9 que o tempo de perman\u00eancia nas UTIs por covid-19 \u00e9 bem acima da m\u00e9dia de outras condi\u00e7\u00f5es, chegando a dez dias. \u201cAs interna\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais longas do que a m\u00e9dia na terapia intensiva, que \u00e9 de seis a oito dias\u201d, explicou Salluh. \u201cAl\u00e9m de serem muitos pacientes em situa\u00e7\u00f5es muito graves, eles ficam muito tempo na UTI e o giro de leito fica bastante restrito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A taxa de ocupa\u00e7\u00e3o das UTIs revelada por esse levantamento j\u00e1 \u00e9 alta: 88% na rede p\u00fablica e 74% na rede privada. No entanto, os especialistas acham que estes n\u00fameros j\u00e1 est\u00e3o subestimados. \u201cO nosso levantamento come\u00e7ou no in\u00edcio da epidemia; tem a\u00ed um momento bom\u201d, afirmou Rezende. \u201cHoje, os porcentuais j\u00e1 est\u00e3o acima disso, com o sistema j\u00e1 colapsado. Provavelmente os pr\u00f3ximos 30 dias ser\u00e3o mais dif\u00edceis.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Apenas um em cada tr\u00eas pacientes graves de&nbsp;covid-19&nbsp;que s\u00e3o entubados nas UTIs brasileiras se recupera e consegue voltar para casa. A mortalidade desses doentes \u00e9 de 66%, um n\u00famero muito alto quando comparado aos internacionais. 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