{"id":831,"date":"2019-07-29T09:07:44","date_gmt":"2019-07-29T12:07:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pinews.com.br\/?p=831"},"modified":"2019-07-29T09:07:44","modified_gmt":"2019-07-29T12:07:44","slug":"risco-de-morte-por-febre-amarela-pode-ser-identificado-mais-cedo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pinews.com.br\/index.php\/2019\/07\/29\/risco-de-morte-por-febre-amarela-pode-ser-identificado-mais-cedo\/","title":{"rendered":"Risco de morte por febre amarela pode ser identificado mais cedo"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <strong>Breno Luis <\/strong>&#8211; 29 de Julho de 2019<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/pinews.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/1112122-tmazs_abr_031420188963-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-832\"\/><figcaption>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Pesquisa desenvolvida pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e Instituto Em\u00edlio Ribas identificou quatro fatores que indicam risco de morte em pacientes com febre amarela.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Idade avan\u00e7ada, contagem de neutr\u00f3filos elevados (c\u00e9lulas sangu\u00edneas que fazem parte do sistema imune inato), aumento da enzima hep\u00e1tica AST e maior carga viral s\u00e3o os marcadores que apontam o risco de uma evolu\u00e7\u00e3o grave da doen\u00e7a. O estudo destaca que, de cada 100 pessoas que s\u00e3o picadas por mosquitos infectados com o v\u00edrus da febre amarela, 10% desenvolver\u00e3o sintomas da doen\u00e7a, e 30% podem morrer.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cO que mais nos deixava perplexos \u00e9 que a maioria dos pacientes chegava bem, apenas se queixando de mal-estar, dor pelo corpo e febre, e, dias depois, alguns deles morriam. \u00c9 uma doen\u00e7a de evolu\u00e7\u00e3o muito r\u00e1pida. Era um desafio determinar, na entrada do paciente, qual seria aquele que evoluiria muito mal da doen\u00e7a e qual seria aquele que teria uma evolu\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel. Foi isso que a gente abordou nesse trabalho\u201d, explicou Esper Georges Kall\u00e1s, professor do Departamento de Mol\u00e9stias Infecciosas e Parasit\u00e1rias da Faculdade de Medicina da USP.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Outros 19 pesquisadores, apoiados pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), assinam o estudo, publicado na revista cient\u00edfica&nbsp;<em>Lancet.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Kall\u00e1s aponta que amostras para an\u00e1lises foram coletadas em pacientes durante o surto de febre amarela em S\u00e3o Paulo no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">De acordo com a Secretaria Estadual de Sa\u00fade, em 2019, at\u00e9 3 de junho, foram registrados 66 casos aut\u00f3ctones de febre amarela silvestre no estado e 12 deles evolu\u00edram para morte.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Em 2018, foram confirmados 504 casos aut\u00f3ctones em v\u00e1rias regi\u00f5es do estado, dos quais 176 resultaram em morte. Tamb\u00e9m houve 261 epizootias (morte ou adoecimento de primatas n\u00e3o humanos).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Entre 11 de janeiro e 10 de maio de 2018, 118 pacientes com suspeita de febre amarela foram internados no Hospital das Cl\u00ednicas e outros 113 no Em\u00edlio Ribas.<\/p>\n\n\n\n<h2>Diagn\u00f3stico<\/h2>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico, o estudo se concentrou em 76 pacientes (68 homens e 8 mulheres). Dos 76 pacientes, 27 (36%) morreram durante o per\u00edodo de 60 dias ap\u00f3s a interna\u00e7\u00e3o hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Onze pacientes com contagem de neutr\u00f3filos igual ou superior a 4.000 c\u00e9lulas\/ml e carga viral igual ou superior a 5.1 log10 c\u00f3pias\/ml (ou seja, aproximadamente 125 mil c\u00f3pias do v\u00edrus por mililitro de sangue) morreram, em compara\u00e7\u00e3o com tr\u00eas mortes entre os 27 pacientes com contagens de neutr\u00f3filos menor que 4.000 c\u00e9lulas\/ml e cargas virais de menos de 5.1 log10 c\u00f3pias\/ml (menos de 125 mil c\u00f3pias\/ml).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Os pesquisadores puderam constatar tamb\u00e9m que a colora\u00e7\u00e3o amarelada na pele dos doentes, caracter\u00edstica conhecida da doen\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 um marcador de severidade no momento da entrada do paciente no hospital.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cA colora\u00e7\u00e3o amarelada, consequ\u00eancia da destrui\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas do f\u00edgado pelo v\u00edrus, s\u00f3 aparece em casos em piora avan\u00e7ada. Em nosso estudo, nenhum dos pacientes que veio a \u00f3bito chegou no hospital ostentando colora\u00e7\u00e3o amarelada\u201d, disse Kall\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Para identificar tr\u00eas dos marcadores, excluindo a idade, s\u00e3o necess\u00e1rios exames em laborat\u00f3rio. De acordo com o professor, o que mede a quantidade de neutr\u00f3filos e o aumento da enzina hep\u00e1tica s\u00e3o exames simples com resultado em, no m\u00e1ximo, uma hora.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cO mais dif\u00edcil \u00e9 a carga viral do v\u00edrus da febre amarela que \u00e9 um ensaio experimental. Ele foi desenvolvido para esse estudo, e n\u00e3o \u00e9 popularizado. N\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel em laborat\u00f3rios de an\u00e1lise cl\u00ednicas habitualmente\u201d, explicou. Ele avalia que a disponibilidade do exame auxiliaria n\u00e3o s\u00f3 na identifica\u00e7\u00e3o do marcador, mas no pr\u00f3prio diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Em casos de novos surtos de febre amarela, os resultados encontrados no estudo permitem agora que os m\u00e9dicos fa\u00e7am uma triagem de pacientes nos momentos de entrada nos servi\u00e7os de sa\u00fade, identificando aqueles que potencialmente podem evoluir para casos mais severos. Assim, \u00e9 poss\u00edvel antecipar interna\u00e7\u00f5es nas unidades de terapia intensiva, aumentando as chances de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2>Massa cr\u00edtica<\/h2>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cEstamos criando uma massa cr\u00edtica de informa\u00e7\u00f5es que vai ajudar o m\u00e9dico na hora que avaliar o paciente, inicialmente quem vai melhor, quem vai pior e otimizar a disponibiliza\u00e7\u00e3o de recursos no hospital. Evidente que auxilia a melhorar a assist\u00eancia a sa\u00fade dessas pessoas\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Outra consequ\u00eancia da descoberta \u00e9 a hip\u00f3tese de que rem\u00e9dios antivirais podem auxiliar no tratamento da febre amarela.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cPela primeira vez \u00e9 descrita a associa\u00e7\u00e3o da quantidade de v\u00edrus [carga viral] com doen\u00e7a pior\u201d, disse Kall\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo o pesquisador, outros projetos j\u00e1 avaliam medica\u00e7\u00f5es que poderiam ser usadas neste caso.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cSe chega um paciente com febre amarela bem no come\u00e7o, ser\u00e1 que se a gente der um rem\u00e9dio antiviral n\u00e3o corta a multiplica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e melhora o progn\u00f3stico dessa pessoa? J\u00e1 que a quantidade de v\u00edrus \u00e9 um fator, isso tem o potencial de mudar a hist\u00f3ria de sobreviv\u00eancia na febre amarela se a gente achar um rem\u00e9dio que for eficaz\u201d, finalizou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Breno Luis &#8211; 29 de Julho de 2019 Pesquisa desenvolvida pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e Instituto Em\u00edlio Ribas identificou quatro fatores que indicam risco de morte em pacientes com febre amarela. 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